Walcilene e Joao Pedro

No meado do ano de 2007 fui percebendo que meu filho João Pedro estava ficando diferente, mais cansado, amarelinho e com algumas manchas roxas pelo corpo. Ele era um menino elétrico, alegre, mais alguma coisa estava diferente. Resolvi então marcar uma consulta com o pediatra
Vidas Que Contam Muito Obrigado Joao Pedro Walcilene Hospede Mae Casa Ronald

No meado do ano de 2007 fui percebendo que meu filho João Pedro estava ficando diferente, mais cansado, amarelinho e com algumas manchas roxas pelo corpo. Ele era um menino elétrico, alegre, mais alguma coisa estava diferente. Resolvi então marcar uma consulta com o pediatra que o acompanhava, e para o meu desespero as coisas não estavam boas. O exame de sangue mostrou que todas as taxas de defesa dele estavam muito baixas. E logo fomos encaminhados para o Hemorio, hospital que trata doenças do sangue.

No dia seguinte já estávamos lá, e não foi fácil, muita gente na mesma situação que a nossa e o hospital lotado, mas não perdemos a fé e ficamos até o último momento daquele plantão na certeza que iríamos conseguir passar pela triagem, e conseguimos!

A médica que o avaliou foi maravilhosa, e nos orientou sobre tudo o que seria feito e disse que ali começaria uma nova batalha pela vida, e realmente foi um divisor de águas para todos nós. Precisei parar de trabalhar, deixar meu filho mais velho com a avó, e me dediquei dois anos consecutivos na busca do diagnóstico do João Pedro. Ele crescia, fazia exames quase que diariamente, passava por muitos especialistas, mas seu organismo não funcionava, e por isso foram necessário inúmeras  transfusões de hemácias e plaquetas, e em 2010 após biopsia chegou o diagnóstico definitivo, João Pedro tinha AAS, ANEMIA APLÁSTICA SEVERA. Uma doença rara,  adquirida e que fez com que a medula dele ficasse doente, não produzindo as defesas do organismo. E ali no Hemorio  já não tinha mais o que ser feito, e o meu filho foi encaminhado ao CEMO INCA para ser submetido a um TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA.

Então partimos para a nossa próxima batalha, jamais perdemos a ESPERANÇA, nada acontece sem a permissão do Criador. Estávamos assustados, mais confiantes! queríamos o nosso filho bem e novamente dentro da nossa casa. Entender os propósitos de DEUS na nossa vida não é coisa fácil, mas saber que não estamos sozinhos faz a caminhada valer a pena.

Fomos super bem acolhidos no CEMO e foi feito a busca pelo doador compatível, e para a nossa surpresa o irmão do João Pedro, Marcelinho que na época tinha apenas 11 anos era 100% compatível, e com isso ganhamos um novo combustível para continuar lutando pela vida do nosso pequeno grande guerreiro. Após todo o processo de  exames para avaliar o doador, ficamos aguardando em casa a vaga para a internação,  foram os 03 meses mais demorados de toda a minha vida. Mais o grande dia chegou e no dia 05 de Outubro de 2010 João Pedro internou, fez  quimioterapia para destruir a medula antiga, e no dia 10 de Outubro recebeu a medula saudável do irmão. Ficamos no isolamento aproximadamente 30 dias aguardando a pega da medula nova, o mundo aqui fora já era um desconhecido, teríamos que aprender tudo de novo, tínhamos  sido avisados que o pós- transplante era muito deliciado e demorado, mas não tínhamos pressa o nosso objetivo era ver o nosso filho saudável e feliz, vivo!

Enfim recebemos a notícia mais esperada, a medula pegou, e iríamos poder sair daquele lugar frio e triste,  com pessoas muito capacitadas, com garra e disposição, e torcendo sempre para que tudo desse certo.

Assim achamos que voltaríamos para nossa casa, para a nossa vida, mas infelizmente ou felizmente ainda não foi dessa vez, pois era preciso está todos os dias bem cedinho no hospital para continuar as medicações venosas e o fortalecimento da medula recebida. E foi aí que o serviço social do CEMO nos encaminhou para CASA RONALD.

Chegamos lá já a noitinha e fomos agraciados com um abraço quente e forte já na recepção nossa querida tia Sara,  e ela nos disse que ali também seria a nossa casa pelo tempo que fosse necessário  e que nada iria nos faltar, teríamos um quarto só nosso, refeição, transporte, voluntários (Anjos de Deus) para nos ajudar em todo momento, e principalmente muito amor.  Aí pensei, esse lugar existe? Sim existe, meu filho iria voltar a ser criança e esquecer por alguns momentos todo sofrimento do hospital.

Não tenho dúvidas que viver esse período na CASA  fez toda a diferença em nossas vidas, e que também colaborou e muito para a nossa vitória.

Nesse meio tempo João Pedro já havia recebido um novo sopro de vida, foi quando descobriu que ali naquele lugar mágico tinha amigos para compartilhar brincadeiras, lanches e a alegria de sonhar. E lá já estava o meu pequeno na brinquedoteca com vários amiguinhos e anjos de Deus (voluntários) supervisionando toda aquela grande bagunça.

Ficamos na Casa por um longo período pós- transplante, e no ano seguinte voltamos pois o João Precisou fazer o reforço da medula, só que dessa fez estávamos fortes, e ainda mais unidos, e tudo correu bem.

Ali fizemos  muitos amigos, ganhei novos filhos e devolvi outros para Deus, a vida é assim… Ganhei colo, mimos e a certeza que a vida só tem sentido quando é compartilhada com pessoas que faz ela acontecer. A Casa Ronald me ensinou muito, e hoje com toda certeza sou uma pessoa muito melhor.

E hoje graças a Deus  João Pedro está com 15 anos, feliz e saudável, seu irmão Marcelinho um lindo homem seguindo a carreira Militar, eu e meu esposo tocando a vida pra frente.

Nada paga tudo o que recebemos da Casa que o amor Construiu, e a única maneira de podermos AGRADECER a tudo e a todos o que recebemos é sendo voluntário do MAC DIA FELIZ, continuando assim transformando BIG MAC em SORRISOS.

Muito Obrigado!

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